Dando continuidade ao último post
que publiquei falando dos equipamentos que utilizo, entrarei aqui em detalhes
sobre os instrumentos que fazem parte do meu set atualmente.
Ao todo possuo seis instrumentos “na
ativa”, sendo duas guitarras e quatro contrabaixos.
Fora isso, um novo contrabaixo de
escala curta (32”) já está praticamente pronto e outros quatro baixos estão a
caminho. Dois deles não são instrumentos MMichalski propriamente ditos, mas
foram instrumentos que eu adquiri há algum tempo e estão sendo reformados e
modificados. Os outros dois são verdadeiros MMichalski e um deles, inclusive, é
o primeiro baixo que eu fiz, que está recebendo algumas melhorias.
Conto na linha de frente com três
dos quatro baixos que hoje já estão na ativa. Velhos conhecidos de quem
acompanha a página da marca no Facebook, “Dark Doom”, “Pig” e “Leprechaun” me
oferecem praticamente tudo que eu preciso em qualquer Jam que eu resolva
participar. São todos baixos de quatro cordas e passivos.
O primeiro é um fretless, feito como
uma homenagem ao grande gênio Jaco Pastorius. Possui o corpo
em Alder, braço em peça única de Maple e escala em Rosewood, captadores Fender
Samarium Cobalt Noiseless, tarrachas Hipshot HB7, ponte Hipshot vintage style,
potenciômetros de volume CTS e potenciômetro de Tone Fender No Load. Neste
baixo uso cordas Rotosound Swing Bass 66, com calibres 045-065-080-105.
Sempre gostei dos baixos
fretless, tanto pelo tipo de sonoridade que se consegue obter com eles, quanto
pela sensação de liberdade dada pela ausência dos trastes. Ao mesmo tempo, eles
exigem do baixista um ouvido e uma técnica mais apurados, o que para mim sempre
é um desafio.
Vou deixar aqui um
"vídeo" que fiz com algumas fotos do "Dark Doom" e uma
pequena amostra do som deste baixo. Essa linha foi gravada sem nenhuma
pretensão, sem preocupações com o metrônomo ou com regrais tonais. Foi apenas
um teste usando minha pedaleira como placa de captura para o áudio, sem a
aplicação de nenhum efeito.
Apesar de buscar um projeto cujas
características se mantivessem mais próximas de uma linha vintage, ou seja, sem
inventar muito, sempre procurei melhorar onde fosse possível, como no caso da
escolha dos captadores, noiseless. Você não precisa daquele “HUM” (ruído com frequência
fundamental de 60 Hz) característico para dizer que o instrumento é vintage. E,
junto com a blindagem que eu sempre uso nos meus instrumentos, realmente o
resultado neste quesito é muito bom.
A escolha das cordas é um caso a
parte...
Utilizo cordas de diversas marcas
nos meus instrumentos, como GHS, D'Addario, Elixir, Ernie Ball, DR, La Bella, Fodera,
Ritter, entre outras. E da mesma forma, procuro experimentar os mais diversos
tipos de cordas, como as flatwound, as roundwound, em aço, em níquel puro,
revestidas, com os mais diversos calibres. Com isso, já cheguei a uma grande
diversidade de resultados com os meus instrumentos.
Embora muita gente diga que o
tipo da corda influencia mais no conforto do que na sonoridade, uma vez que o
baixista poderá compensar perdas ou excessos de frequências com a forma de
tocar e com o uso de equalizadores, posso dizer que na prática, considero a
escolha da corda um ponto fundamental para se facilitar a vida do músico que
busca chegar a uma sonoridade específica.
Desta forma, inicialmente cheguei
a usar cordas flatwound (lisas) neste baixo, mas como essas cordas geram menos
harmônicos do que as roundwound, o que seria um problema para a idéia que eu
tinha para o instrumento, desisti. Acabei buscando um modelo mais tradicional da
Rotosound.
A durabilidade das cordas
Rotosound é bem interessante, e elas não são tão brilhantes quanto, por
exemplo, as GHS, quando novas, o que vai muito bem para um som mais vintage
como eu queria.
O “Pig” também é um baixo clássico
com toques de modernidade. Sua especificação é muito semelhante à especificação
dos baixos de dois outros monstros das quatro cordas: Steve Harris e Roger
Waters.
Trata-se de um precision de
quatro cordas com corpo em Alder, braço e escala em
Maple, as mesmas tarrachas usadas no “Dark Doom”, ponte Gotoh 201 e captadores
Seymour Duncan SPB-3. Nele utilizo cordas flatwound, Rotosound Jazz Bass
77, com calibres 045-065-080-105.
Cheguei a
utilizar cordas com calibre 050 neste baixo, mas ficaram muito pesadas e
desconfortáveis para a minha pegada. E esse é um ponto que todo músico deve
sempre priorizar: seu conforto.
A opção
pelas cordas flatwound neste caso vai pelo caminho inverso pelo qual preferi
cordas roundwound no “Dark Doom”. Queria que o “Pig” tivesse um som mais seco,
com mais punch, e menos harmônicos sobrando, ainda mais porque como eu já estaria
utilizando um captador com mais ganho e com uma banda de frequências de
resposta mais larga, conseguiria um melhor equilíbrio desta forma.
A opção
pela Rotosound, neste caso, segue a mesma linha de raciocínio do “Dark Doom”:
um som mais clássico.
Sua existência se resume
praticamente a uma única questão: como seria um baixo do tipo precision com um
humbucker cerâmico?
Como nos outros dois baixos que
uso na linha de frente, e provavelmente em todos os outros que até então eu já
tinha usado, os captadores possuem magneto (ímã) em AlNiCo V (uma liga de ferro
contendo alumínio, níquel e cobalto), seria uma experiência interessante um
baixo com captadores cerâmicos (cujo ímã é basicamente composto de ferrite).
Em teoria, se compararmos dois
captadores idênticos, com as mesmas dimensões, a mesma bobina, o mesmo cobre e
mudarmos apenas o seus ímãs, sendo um fabricado com AlNiCo V e outro com ferrite,
verificaríamos que a primeira opção possui uma saída mais suave, com uma
resposta em frequência mais plana e um som mais próximo do que consideramos
vintage. O segundo casa teria uma saída com ganho maior, em especial na faixa
de frequência dos médios e médio-agudos, porém perderia um pouco na definição das
notas.
Na prática, não pude ainda
comparar dois captadores quase idênticos que se diferenciem apenas no que diz
respeito ao material que é feio seu ímã, mas de fato o som do “Leprechaun” é o
mais rock ‘n’ roll de todos. Cheio de médios, rasgado, pedindo uma distorção.
O baixo possui um corpo também em
Alder, como os outros dois, braço em Maple e escala em Rosewood.
A ponte é exatamente a mesma utilizada no “Pig”, mas as tarrachas possuem uma
pequena variação.
Como o corpo do “Leprechaun” é
mais fino do que o padrão de um precision, seu peso também é menor e, desta
forma, com as grandes e tradicionais tarrachas “orelhas de elefante”, eu correria
o risco de ter um baixo desequilibrado, com o famoso “neck-dive”. Desta forma,
optei por utilizar tarrachas Hipshot Ultralite HB6C. E, para dar um maior leque
de possibilidades a este baixo, resolvi colocar uma tarracha Hipshot Ultralite
Bass D-Tuner X-Tender na corda 4ª corda (E). Com isso, regulei o baixo para uma
afinação padrão, porém podendo “dropar” o bordão de E para D.
As cordas escolhidas para este
baixo também fogem do tradicional. Resolvi experimentar as cordas DR Neon, na
cor verde (para combinar com o instrumento), com calibres
045-065-080-105. Foi uma questão puramente estética, mas que não prejudicou me
nada o resultado sonoro.
Meu outro baixo, já na equipe dos
reservas, foi por muito tempo meu único instrumento. Trata-se de um Ibanez EXB
445, com cinco cordas, totalmente modificado.
Este foi meu primeiro baixo e o comprei
(usado) do meu primeiro professor de contrabaixo. Na época, e lá se vão praticamente
10 anos, este baixo já tinha recebido um pré-equalizador ativo. Seus captadores
eram originais, um jogo de Select by EMG Jazz Bass e a afinação era a
tradicional para um baixo de cinco cordas (BEADG).
Porém, não satisfeito com isso,
resolvi que a essência do baixo deveria ser outra. Troquei a afinação
tradicional por uma afinação tenor (em um baixo de quatro cordas, seria ADGC;
no meu caso ficou sendo EADGC), os captadores por um jogo de captadores
Bartolini 59CBJD S3/L3, coloquei um novo pré-equalizador e um TBX Tone Control
da Fender (um tone passivo que funciona como filtro passa alta ou passa baixa,
ao contrário dos tones tradicionais, que funcionam como filtros passa baixa).
Neste baixo uso cordas GHS 5MCDYB,
030-045-065-080-100, pois além do brilho característico que as cordas GHS possuem
quando novas, é a única marca que eu conheço que facilmente se encontra jogos
de cinco cordas com calibres apropriados para a afinação que eu uso neste
baixo.
Meus outros dois instrumentos são
duas guitarras que atualmente uso muito mais para me divertir, já que ainda
estou me adaptando ao instrumento.
Uma delas, “Shaitaini”, uma guitarra com ares de SG, que foi adaptada para
receber o encordoamento D`addario XL 155 (com calibres 024-034-044-056-072-084)
e afinação ADGCea (uma das possíveis afinações barítono) atualmente está com um
jogo de captadores Seymour Duncan Invader. A ideia deste projeto era construir
um baixo com escala extremamente curta (24,75”) ou uma guitarra com cordas tão
grossas que poderiam ser tangidas como se fossem cordas de baixo. Tanto de uma
forma, quanto de outra, o objetivo foi alcançado.
A escolha
das cordas foi meramente uma questão dimensional, já que essas cordas era as
únicas do mercado com o calibre apropriado para o projeto. Foram feitos diversos
cálculos antes de chegar a colocar a “mão na massa”, definindo qual a escala
apropriada e o jogo de cordas ideal para não subir demasiadamente a tensão no
instrumento, considerando o que já existia de disponível no mercado.
A outra
guitarra do set é a “Blue Star”, a primeira guitarra da MMichalski Luteria. Com
corpo em Alder, braço em Maple, escala em Rosewood, captadores Seymour Duncan
Hot Stack (braço e meio) e Seymour Duncan Invader (ponte), ferragens Wilkinson,
potenciômetros CTS, encordoamento GHS Progressives Dave Mustaine Signature,
trata-se de uma superstrato bastante nervosa.
Devido ao
calibre misto do encordoamento (010-013-017-030-044-052), que começa nas cordas
mais agudas como um tradicional 010, mas termina nas cordas mais graves como se
fosse um equivalente a 012, a tensão no braço acaba sendo mais alta do que
seria com um jogo padrão 010, especialmente nas cordas mais graves.
Além
disso, resolvi que esta guitarra poderia ser afinada de uma forma não
tradicional, e passei a utilizar uma afinação em quartas, como nos baixos, passando
a usar EADGcf ao invés do tradicional
EADGbe. Com isso, a tensão das cordas mais agudas também ficou maior.
Porém,
essa variação nunca trouxe qualquer tipo de problema para o instrumento, que
acaba sendo bem interessante para o uso do “two hands”, uma vez que, sem o
intervalo em terça que existe tradicionalmente entre a segunda e a terceira
cordas de uma guitarra, é possível se criar escalas simétricas para arpejos que
percorram o braço de maneira ascendente ou descendente.
Acredito
que eu já tenha apresentado mais do que o suficiente para que os leitores
tenham uma noção de como são meus instrumentos pessoais.
No próximo
post sobre o meu set, abordarei a questão dos efeitos que utilizo.
Abraços,
Miguel
Michalski.




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